NÃO SE NASCE LIVRE

Não se nasce livre, torna-se, o mesmo ocorre com os softwares livres. Isso significa renasacer. Reaprender. Ou seja, abandonar velhos hábitos e desenvolver novos. Estudo, curiosidade e persistência. Horas em frente à tela, e várias tentativas muitas vezes sem sucesso.

Meu primeiro contato com arte gráfica foi num curso técnico de design gráfico, que nada mais era que um vídeo tutorial “male-mal” auxiliado por um técnico em informática em uma escola de profissões do tipo, inglês, design e manutenção de computadores lá da cidade de Cascavel, onde nasci. No entanto esse curso tipo “intensivão” serviu para me aguçar a curiosidade na relação tecnologia e arte. O resultado das horas empenhadas nas férias foi algumas noções de corel 10 e photoshop9. Isso mesmo, o que me deixou angustiada por que o resultado final ficava tão longe do imaginado. Larguei vários projetos de ilustração por não conseguir expressar o sentido da mensagem. Falha técnica, em parte do curso, que foi basicamente operacional, não explorando métodos de expansão da criatividade e em parte minha mesmo, por não ter paciência em descobrir como projetar exatamente o que queria com ajuda da máquina e dos softwares. E convenhamos, a vida fora do computador ainda é bem mais legal para a maioria das adolescentes.

Esse curso me levou a optar pela faculdade de comunicação social, a qual poderia direcionar minha vontade de produzir ilustrações para livros infantis, e quem sabe até animações futuramente… O sonho continua vivo! O curso universitário me reafirmou a unanimidade de ferramentas no mercado: Adobe e Corel. Nunca ouvi nem vi o termo software livre. Muito menos me ocorreu que reproduzíamos uma escravidão comercial ao depender dessas corporações para criar nossos cartazes, outdoors e jornais no interior do Paraná, Sul do mundo. Ao contrário, a academia se constrói como um espaço de disputa de ideiais e de contas, e à isso serviria nossa criatividade, independente das ferramentas que utilizássemos.
Ao me deparar com estágios em agências o monopólio de hábito se afirma novamente, agora entram em jogo os Mc (macintosh). Adobe na criação, Corel pra gráfica. A essa altura descobri a diferença entre criação e fechamento de arquivos, foi então que destinei mais um mês de férias ao curso intensivo de Arte Finalista. Mesmo método, mesmos softwares.

Aos poucos percebi que minha intenção de criação e produção não condizia com manipulação de imagem e de massa, nem com desperdício de papel, nem com opressão das agências, nem competição acadêmica. Foi quando comecei a explorar sozinha o limite entre comercial e solidário. Com acesso à internet o autodidatismo foi um plim! Econtrar e criar soluções ao bom aproveitamento de energias, modos de trabalho mais justos e cooperação na diversidade. É o pensamento da livre associação funcionando na vida real! Por incrível que pareça foi num encontro de Cultura Ecológica que ouvi falar que pessoas do mundo inteiro (que não se conhecem) desenvolvem (softwares) e constroem (máquinas) totalmente recicladas, para pequenos agricultores orgânicos que não possuem recursos financeiros nem para adquirir tratores e outras equipamentos de agrobusiness muito menos grandes áreas de terra. Portanto são soluções simples, para gente simples com capital de investimento em pesquisa zero ou quase isso. Foi uma tripla revolução em minha mente. Desde então defini meu perfil de público e parcerias, minhas ferramentas e meu ideal. Se não for assim, meu coração não sabe pulsar. Projetos ficam meses pairando ou engavetados, até que outrx artista se interesse e toque…

Desde então eu sabia da existências dos tais softwares livres, mas continuava a sofrer com máquinas que congelavam, travavam, não renderizavam. As quais em menos de 2 anos entravam em sobrevida. Não resistiam aos vírus, insistentes backups e formatações. Até o dia que me estressei tanto com um windows que resolvi aprender instalar o ubuntu, não sem antes falhar umas duas ou três vezes. Ainda há que se querer muito ou ter aquelx amigx versadx na arte da informática para enfim livrar-se, em parte do windows, por que quem resiste a um dual boot né?!

Todx artista gráfico ainda esquenta a moringa em como resolver problemas como correção de cores na tela, padrão de cores CMYK, exportar PDF-x1a e outros pequenos tramites aos quais estão sendo desenvolvidos alternativas, porém ainda depende de muita pesquisa, um pouco de inglês e alguma paciência para testar várias vezes! Nessa balança eu digo com certeza que não volto atrás, nem por vaga de emprego, que exige como básico o pacote adobe! A gente descobre outras maneiras de trabalhar e organiza do nosso jeito… Os softwares de edição de vídeo ainda são para mim uma biblioteca na qual passarei algumas férias. Enquanto isso no serviço gráfico GIMP e Inkscape estão sendo ótimos aliados, espero em breve iniciar uma animação…! Synfig está ali na aba ao lado, já fiz alguns testes, estou realizando uns estudos de personagens!…

Software livre significa constante descoberta, eterna construção. Nada pronto muito menos acabado, e o melhor: é free! É tudo nosso! Sem espionagem.

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